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Não vou falar sobre o Haiti!!!
Me prometi não falar sobre o Haiti. Em meio a tanta desgraça e sofrimento o que poderia comentar? Propor uma oração coletiva? Recolher doações entre os moradores de meu bairro? Solidariedade? Sim, solidariedade é sempre bem vinda. Quem não gosta ou é contra? Mas resolvi não falar sobre essa catástrofe porque acabaria falando sobre o constante terremoto histórico que assola este país há tanto tempo. A colonização francesa e a devastadora intervenção norteamericana na América Central. Aí entenderíamos que um terremoto de escala já atingida em outros países só toma essa proporção quando uma sociedade já está construída sobre escombros. Mas vejam bem, terremoto é um acidente de causa natural. Se seguido dele os algozes dessa sociedade doam enormes quantias de dinheiro para matar a fome das suas vítimas, a fome também se naturaliza e o melhor é que o causador vira redentor. O terremoto não foi a catástrofe do Haiti. Mas sim sua história. O terremoto apenas fez uma espécie de lavagem. Isso, não tem lavagem de dinheiro? Agora assistimos à lavagem histórica. Por isso não vou falar sobre o Haiti!
Escrito por Marcelo Biar às 00h11
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Gilmar Mendes _ A Unanimidade Inteligente
Queria fazer a primeira postagem do ano de forma otimista, falando de coisas boas. Mas francamente, ou meus olhos são viciados pelas contradições, ou o cinismo está desfilando na nossa frente sem nenhum pudor. Eu já havia falado da Lei das Algemas, criada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Nessa lei o Gilmar proibiu aquilo que chamou de ESPETACULARIZAÇÃO DA PRISÃO. Isso é, ele achou que alguns policiais faziam do ato da prisão um espetáculo expondo desnecessariamente, os presos. Coincidentemente, ele teve essa idéia quando viu Daniel Dantas algemado. Curiosamente, ainda, o fato de todo dia, nos jornais populares termos manchetes com fotos de presos pobres e negros algemados, não fez com que Gilmar se indignasse. Pronto, ele voltou a evidência no final do ano. Nosso Presidente de Supremo Tribunal deu fim da prisão preventiva do médico Roger Abdelmassih, acusado de crime sexual contra, pelo menos, 60 mulheres (pacientes dele). O argumento do Gilmar foi que, sem maiores evidências, a prisão preventiva era uma antecipação da pena. Além disso, se o médico está com sua licença revogada, não poderia ter pacientes, logo não reincidiria em seu crime. Consultei o site do Ministério da Justiça e verifiquei que o Brasil tem cerca de 20 mil presos por crimes de cunho sexual. Será que todos totalizaram 60 vítimas? Será que todos foram criminosos seriais? Fiquei pensando, por esse raciocínio, se algum deles só violentava freiras e não for ter mais contato com nenhuma religiosa, também não teria que ser solto? Da mesma forma os que se especializaram em professoras, médicas, etc. Puxa Gilmar, temos muitas pessoas injustiçadas presas. Por que será que ele não leva seu raciocínio jurídico para além do Daniel Dantas e o médico Roger Abdelmassih? Curiosamente, os próprios presos de crimes comuns não aceitam conviver com estupradores. Eles não tem a mesma tolerância do Gilmar. Ou realmente eu penso na contramão, ou temos que concluir que a inversão é tanta no Brasil que tem gente que tá presa e deveria estar solta e gente que está solta (e alguns com poder de mandar prender e soltar) que deveria estar presa.
Escrito por Marcelo Biar às 10h27
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Que venha 2010 !!!
Carlos Drumond de Andrade escreveu uma vez que quem inventou o ano é um gênio. O ano, segundo ele, é o tempo exato que dura nossos esforços e nosso fôlego. Assim, quando estamos exaustos e prontos para entregar os pontos, vem o ano novo e nos dá a sensação de fôlego novo. Pronto, começamos tudo de novo. Seja qual for nossa visão sobre o ano novo, ele é um marco na nossa cultura. Assim, em caráter especial, aqui segue minha última postagem do ano...rs E segue em pequenos tópicos: _ ANO NOVO I_ Esse vai ser meu quadragésimo terceiro reveilon. Não me lembro de todos, mas francamente, a tirar pelos que lembro, aí vão minhas previsões... Em 2010 vamos nos cansar muito, ficar indignados com a desigualdade, rir muito com amigos, amar, chorar, sofrer, perder alguém querido, ganhar novos e bons amigos, ler algo muito interessante, ficar preocupados com o dinheiro (a falta dele), e ver o mundo valer a pena nos olhos de nossos filhos. 2010 será igual a 2009. Nós é que temos que ser diferentes. Melhores eu diria! _ ANO NOVO II_ PRÊMIO CONTRAMÃO 2009_ Todo mundo escolhe os melhores do ano. Todo mundo. Ainda que os resultados não coincidam. Depois que vi o Obama ganhar o prêmio Nobel da Paz e o Cristiano Ronaldo o prêmio de mais bonito gol, resolvi que não ia ficar fora dessa. Lancei o PRÊMIO CONTRAMÃO. O juri fui EU. A votação apertada, gerou até desconforto entre os membros do juri. Eis o resultado: _ MELHOR CD DO ANO_ SagradoProfano de Felipe Radicetti. Não está à venda nas lojas americanas, não é da Som Livre e o Faustão não elogiou. _ MELHOR GRUPO MUSICAL_ Camará Trio. Composto por percussão, violão e violino, faz música brasileira instrumental relendo sambas e outros ritmos, com muita personalidade e carisma. Desliguem as rádios. Eles não tocam lá. _ MELHOR FILME_ Empate_ Che e Ensaio Sobre a Cegueira_ Che é um bom filme que tem como maior mérito o resgate da figura de Che. Em tempos de pobreza de utopia esse resgate é fundamental. Já o Ensaio é um retrato da sociedade contemporânea. Quem não viu dessa forma está irremediavelmente cego. Esses filmes não passarão no shoping mais perto de sua casa e não terão bonecos das personagens como brindes do Mac Donald. _ MELHOR BLOG_ http://criaturasdaminhamente.blogspot.com Inteligência e bom gosto. Trata-se de um blog que expressa, nos desenhos e textos, a visão crítica da autora a cerca da sociedade e seu comportamento. Podem conferir. Jamais foi indicado pela Ana Maria Braga. _ MELHOR ESTÚDIO_ Ouvido em Pé_ Sob a batuta de João Cantiber, grande violonista, não é um estúdio tradicional. Tecnicamente muito bom, ele conta com a simpatia do técnico, um café excelente, um preço possível, um relógio desapressado, e, se desejar, com a produção do João. De lá sairão belos trabalhos. Podem confiar. Esse estúdio não tem culpa nenhuma dos maiores sucessos do ano! _ MELHOR ARTISTA PLÁSTICA_ Márcia Cisneiros_ Seu trabalho é uma síntese brasileira de cores, expressões e por que não, cheiros e sabores. Logo, apesar de boa projeção no Brasil, suas telas podem ser achadas na Europa. _ MELHOR LIVRO INFANTO JUVENIL_ (única categoria eleita por aclamação popular_ eu só fiz a contagem dos votos...rs) Antônio Conselheiro_ Nem Santo, Nem Pecador, de Marcelo Biar, Editora Rocco. Nas livrarias não pode ser encontrado ao lado dos livros de auto ajuda, não é brinde na compra de um livro da Bruna Surfistinha, nem descansa na prateleira dos livros/estojos de maquiagem. Aqueles fundamentais em casos de primeira menstruação. Beijos e um bom 2010!
Escrito por Marcelo Biar às 10h51
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Viva o Arruda!!!
Ufa... que bom que surgiu o Arruda...rs Eu já estava sem assunto. Já ia começar a falar sobre a ação nazista de Israel sobre o povo palestino. Quem sabe fazer uma resenha do texto do SENNETT, A CORROSÃO DO CARATER. Falar sobre o enorme ´contingente que morre de fome no mundo, enquanto o homem vai a lua. Enfim... já ia eu procurar assunto, quando o Aruda me salvou. É incrível como esses personagens são capazes de desenterrar cidadãos indignados. (já abordei esse tema quando postei sobre o Sarney) Fico imaginando o tédio que é a vida dos jovens brasilienses sem os escândalos. Falando sério. Até quando vamos deixar que nossa indignação seja pautada pelo telejornal? O Arruda, sempre foi o Arruda, ou o Sarney, ou tantos outros. E pior, eles estão por aí disfarçados e espalhados entre nós. Por que só gritamos agora? Vamos brincar de caçar os Arrudas. Mas sem ir a Brasília. A brincadeira é achar o maior número de Arrudas sem sair da calçada. Isso mesmo. A história anda pelas ruas, descalça! Nós estamos nela. Nós somos ela!
Escrito por Marcelo Biar às 16h24
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Like a virgin (ou Os Trapalhões)
Em 1996 estive no interior do Piauí. Ao ingressar em um pequeno museu de uma minúscula cidade, e assinar o livro de freqüência me apresentando como carioca, reparei que a funcionária disfarçadamente passou a mão no telefone e, dois minutos depois, lá estava a primeira dama da cidade me recebendo. Muito simpática, mostrou todo o acervo do museu em dois minutos e passou a próxima hora indagando o que fazia eu naquele fim de mundo e como era o Rio. Me senti muito mal com aquilo. Será que a Madona também se sentiu mal? A corte feita pelo prefeito, governador e o homem mais rico do Brasil, beirou o ridículo. O que justifica isso? É a afirmação da nossa baixa estima e falta de conhecimento de nossos próprios valores. Aqui não vai nenhuma crítica à Madona. Ela fez a parte dela. Mas “nossos” governantes... Será que ofereceram um Note Book para ela? O pior é que ela ainda saiu daqui com 7 milhões para investir em um mirabolante projeto educacional que vai mudar o Brasil. Pois é, a Madona! Pelo menos aí eu vi coerência. Ao fazer isso o governador e seu aprendiz de feiticeiro afirmaram publicamente que não acreditam em seus professores e universidades. Talvez isso explique a forma como os trata e remunera. Nunca pensei que fosse falar isso, mas pelo menos na ditadura o Mec fez acordo com o USAID, uma espécie de escritório de consultoria, para que reformassem a nossa educação. CALMA gente, não gosto dessa idéia. Mas fazia parte de um projeto político profundo. Nefasto e de sérias conseqüências. Mas um projeto. Mas o que é isso agora? Madona? Ah não... (Podíamos chamar o Superman para cuidar da segurança)
Escrito por Marcelo Biar às 08h43
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O Parto do Amanhã
Estava dando aula noutro dia, e lembrei uma célebre frase de Marx. A NECESSIDADE É A PARTEIRA DA HISTÓRIA. Isto é, é ela quem move as sociedades pelas mudanças, descobertas etc. Essa frase é muito legal e faz lembrar da criatividade das camadas populares, as engenhocas dos presos (seus inventos feitos na cadeia) e até mesmo, do nível de tecnologia que o homem atingiu. É, vai-se a lua como se vai a esquina. Pois é, o problema é que isso nos remete a seguinte questão: Vai- se a lua, mas pessoas morrem de fome. Vai-se a lua e o meio ambiente está sendo violentado. Vai-se a lua e não se consegue dar conta do lixo produzido diariamente. Puxa, emtão o homem não é tão capaz assim de resolver suas necessidades? Não meus amigos, é sim! Apenas a solução desses problemas não se encaixa na lista das necessidades de nossa elite dominante. Pelo contrário, são o resultado de sua prática. MISÉRIA e PROBLEMA AMBIENTAL não estão na gaveta das preocupações de nossa elite, mas sim na prateleira lá de cima, da última estante, fechada ao acesso, onde guardam os resultados de suas ações. Mas esta reflexão, se desvenda o caráter (ou falta de) do capital, também nos impõe um desafio. NÃO SOMOS DA ELITE. Até quando vamos esperar que ela resolva nossos problemas? Quando vamos mostrar que a necessidade de uma sociedade mais justa irá nos parir enquanto sujeitos transformadores da sociedade? (ou será que isso não está na moda mais?)
Escrito por Marcelo Biar às 19h09
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A Culpa é do Macaco?
Vamos repensar um pouco essa questão da violência no Morro dos Macacos. Onde está o verdadeiro problema? A polícia foi ao morro porque estava havendo uma tentativa de invasão. Isto é, uma facção, sediada em um morro ao lado tentava tomar aquele morro para se beneficiar dos lucros do tráfico instalado ali. Ora, mas qual o problema? Se as autoridades sabiam que havia tráfico ali, de que importa ao Estado, quem o explora? A sim... o problema não é o tráfico, mas sim a guerra para a tomada do ponto. Sei, as armas estão muito pesadas e acabam sobrando balas para o asfalto. Que tal atiradeira (seta, estilhingue...)? Isso! Se as facções passarem a usar armas silenciosas e que não perturbam a ordem branca, a polícia não sobe. Ué, quer dizer então que a existência do tráfico em si pode?! Até mesmo a mudança de grupo que o explora. O problema é não sobrar nada para o asfalto. Deve ser por isso que em qualquer ação policial nos morros cariocas vemos sempre a imagem do policial apontando a arma para cima. Para o morro. Deve ser para ir afastando o perigo da comunidade do asfalto. Como aquelas pessoas que varrem calçada com mangueira d’água... empurrando o lixo. Ora, se querem tirar o problema do morro, por que não fazem a operação de cima para baixo? Assim, ao terminar a operação, o morro estará livre dos mal feitores. O problema maior disso tudo é que a imagem do policial apontando a arma para o morro reforça no imaginário coletivo o caráter apartado de nossa sociedade. Sem maior reflexão, o mundo branco do asfalto aponta suas armas para a comunidade. Naquele momento, aqueles que moram ali, fruto de uma complexa rede de exclusão e exploração, são mais uma vez atacados pelo preconceito que os marca como perigosos sem distinguir quem é quem. E assim, parece que todo o processo histórico que os levou àquela situação é absolvido e justificado. A exploração é esquecida, e o explorado culpado.
Escrito por Marcelo Biar às 06h53
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Dia dos professores!
Feliz dia dos professores. Dia 15 foi assim. Recebi várias mensagens me parabenizando. Algumas delas, confesso, até me comoveram. Gosto de carinho, sou normal. Mas francamente, você preenche uma ficha numa loja, ou algo assim, e o balconista te dá os parabéns... O visinho que nunca falou contigo, com um sorriso cínico, também te felicita... Eu não vi, é claro!, mas garanto que a Ana Maria Braga leu algum texto em homenagem aos professores. Deve ter encerrado dizendo que sem os professores ninguém vai a lugar nenhum. É isso que me incomoda! Se dentre quem estuda o assunto é consenso que a educação escolar foi criada para construir hegemonia, criar valores que favoreçam a dominação, por que insistem em dizer que é preciso mais educação? E essa frase que não chegaríamos onde estamos sem o professor, será que não ocorre a ninguém que onde chegamos (o mundo) não é um lugar muito interessante? Mas aí um médico bem sucedido que cobra R$300,00 por consulta afirma sua gratidão a sua primeira professora que nem pode se aposentar, nem ir a um médico. A educação constrói o mundo mesmo? Então a culpa é dos professores também! Não estou escrevendo isso para brigar com a categoria, mas para deixar claro que também entre os professores existem posições e práticas ideológicas diferentes. Que tal pararmos de pedir mais educação e discutirmos que educação queremos? Viva minha amiga e ex professora que em sua mensagem parabenizou aqueles que fazem do seu ofício um exercício de transformação. Só aqueles. Isso mesmo. Os outros não se sentam na mesma mesa que nós. Não dividimos nossa comida com quem não sabe dividir!
Escrito por Marcelo Biar às 14h29
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Não ouço mais Mercedes...
Em 2000 eu estava jantando com uns amigos em São Paulo quando um deles falou: Puxa, Mercedes Sosa morreu e nem uma nota no jornal. Passado nosso espanto com sua morte, veio a indignação pelo silêncio. Por sorte era um grande rebate falso. La Negra, A Voz da América, A Voz do Terceiro Mundo, eram alguns de seus apelidos. Sua voz, farta como seu corpo, parecia carregar tantas vozes... tantos dos nossos sonhos de uma outra América. Cantou Chico, Milton, Violeta Parra, Vitor Rara, Pablo Milanês, Silvio Rodrigues... todos, perto dela, meninos a quem acolhia no colo. Hoje, 4/10/2009, ela realmente morreu. 74 anos volvendo a los 17. Amando como na primeira vez... com o brilho do sol que nasce de novo e tão novo. Fico triste, mas ela tem esse direito. Hoje o rebate não é falso. Mas a tristeza que me acomete de forma implacável vem por perceber que algo já havia morrido em 2000, ou bem antes. Mercedes já não era tão ouvida porque nossos sonhos também não se faziam ouvir. Por muito tempo achamos que ela era o tambor que fazia marchar nossos sonhos. Hoje acho que era ela o eco de nossos sonhos. Nossos peitos batiam o ritmo da marcha e ela fazia ecoar. Mas nossos tambores foram soando cada vez mais fraco... até parar. Por isso não se ouvia mais a voz da América... por isso, talvez , ela se foi. O século XX, breve, aos poucos vai terminando. Resta-nos a difícil tarefa de mergulharmos em nossas entranhas e procurar, ainda que pela última vez, nossas utopias... nossos sonhos. Talvez ouvindo, ao longe, a voz daquele Milton sussurrando baixinho “o que foi feito amigo de tudo que a gente sonhou...".
Escrito por Marcelo Biar às 22h11
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Não há crime sem vítima ou Perdeu mané!
E o Sarney? Ué, ninguém mais fala nele? Já passou? Voltamos à normalidade? Tudo está como era antes, ou será que nada mudou mesmo? No período em que se falou do Sarney enquanto um corrupto, eu vi algumas pessoas com discurso crítico, mas indignação mesmo, eu não vi. Não igual a quando uma pessoa é roubada na rua. Quando levam sua carteira ou seu relógio. Nesses casos, é comum ouvirmos que o ladrão tem mais é que morrer. Mas o Sarney não. Por que será? Na verdade, o relógio, para o cidadão, é seu bem. Ele sabe que é seu! A coisa pública não! A população já teve roubada, faz tempo, sua condição cidadã. Já lhe tiraram o sentimento de que o que é público é seu. Perdeu mané! O povo não se sente diretamente roubado, quando alguma pessoa pública desvia verba da saúde, por exemplo. Esse roubo, certamente, foi o maior roubo da história. Roubaram nosso sentimento de pertencimento da sociedade. Morte ao Rei! Será que teremos que fazer uma nova Revolução Francesa (ah não!) para nos sentirmos cidadãos de novo? Fiquem tranqüilos. Em breve, a lembrança do relógio também será tão remota que não nos indignaremos ao perdê-lo. Aí sim, viver vai ser uma maravilha.
Escrito por Marcelo Biar às 06h52
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Vou virar liberal...rs
“Esse mundo tá todo mudado”. Vira e mexe ouvimos uma frase como essa. Começo a acreditar. Sempre defendi a intervenção do Estado para dirigir a economia e garantir, para a população, aquilo que lhe é básico. (Como sou antigo, né?) Já os liberais, há mais de 200 anos defendem a não intervenção do Estado. (moderníssimos) Pois eu acho que está tudo se invertendo. Fui comprar meu remédio para pressão e por ter receita ganhei um enorme desconto. De R$25,00 paguei apenas R$ 1,82. O rapaz do caixa explicou que o governo federal tem uma lista de remédios que julga essenciais e os subsidia. Ou seja, já que a população não tem renda mínima o governo garante a ela o remédio. Sem entrar no mérito da renda mínima, não seria mais pertinente o governo fabricar o remédio e vender a preço quase de custo? Puxa, mas aí ele estaria intervindo... atrapalhando a iniciativa privada. Ah, entendi. Ele não promove a renda mínima, garante o acesso ao remédio a população e o lucro da indústria farmacêutica. Essa coitada, exposta a um mercado tão frágil já que tem uma população de baixa renda. Então o Estado não produz o remédio para não intervir na iniciativa privada, mas subsidia seu consumo para garantir a venda e o lucro da mesma? Mas isso também não é intervenção? Já que não conseguimos um Estado que garanta os bens básicos a população, vou virar liberal e defender que o Estado pare de intervir. Pare de subsidiar a iniciativa privada. Só para contrariar...rs
Escrito por Marcelo Biar às 10h29
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Pelo Menos
Criamos a cultura do PELO MENOS. Sabemos que a educação está caótica em seus prédios, material e proposta pedagógica. Mas assistimos ao governo do Estado distribuir note books para os professores. Sabemos que é um gasto que desrespeita prioridades, mas dizemos: PELO MENOS isso foi feito. Vemos as ONGs se proliferarem recebendo verba pública para confirmar a incapacidade do Estado e levar coisas como balet clássico para o topo do morro. Sabemos que com isso estão enriquecendo para manter o pobre distante do asfalto e que essa prática em nada muda a realidade. Mas, mais uma vez dizemos: PELO MENOS isso já é alguma coisa. Quando será que teremos coragem de falar sobre aquilo que realmente está acontecendo? Quando assumiremos a postura de apontar os erros e buscar as transformações? Anseio pelo dia em que PELO MENOS vai ser, no máximo, nome de clínica de depilação e não entorpecente de cidadania!
Escrito por Marcelo Biar às 11h44
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O Grito do Currado
Depois da ditadura, quando houve forte censura, as pessoas passaram a associar liberdade de expressão à democracia. É tão maravilhoso quanto perverso poder se expressar livremente se não temos mecanismos contundentes de participação sobre nosso destino. Achar que vivemos num Estado democrático apenas porque votamos de 4 em 4 anos e fazemos críticas clichês aos políticos, em nossas rodas de botequim, é de uma inocência tão grande quanto a inutilidade dessa prática. Nosso Estado não é democrático porque é alicerçado em uma lógica que mantém o cidadão distante de suas decisões. Receberemos uma fortuna pelo pré sal, mas o que será feito dela, caberá aos políticos decidirem. O quanto e em que investir na saúde e educação, também só cabe aos que freqüentam o Olimpo. A democracia se dá quando nos constituímos efetivos sujeitos da história. A liberdade de expressão é um instrumento para tal. Contudo, essa liberdade sem nossa ação se resume ao direito do currado gritar após sua curra!
Escrito por Marcelo Biar às 08h23
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A Dança dos Atrevidos
Ontem, 30 de agosto, lancei meu livro ANTÔNIO CONSELHEIRO_ NEM SANTO, NEM PECADOR, pela Editora Rocco, na varanda da livraria do Museu da República. Ao lado avistava uma sala de reuniões de Getúlio. A tarde estava linda, com um sol daqueles que aquece sem queimar. Lá estávamos nós: Antônio Conselheiro, Eu, Getúlio, a república em si, crianças correndo sem saber pra onde... De repente vi o quanto a história é interessante e nos oferece várias faces. Quantas contradições cabem em um mesmo ato? O que nos impede de explorar essas contradições? Quando a editora me pediu para escolher um local para o lançamento do livro, escolhi essa livraria por não ser um claustrofóbico shoping. Aí brincaram comigo: puxa, mas foi a república que matou Antônio Conselheiro. É verdade, pensei eu, mas e os shopings, representam quem? Eles também venceram Antônio Conselheiro!...rs Na verdade, os espaços estão sempre repletos de marcas dos vitoriosos, mas cabe a nós fazermos nossa festa a despeito deles. Enquanto pudermos cantar quando nos mandam calar, estaremos vivos! Já eles, vitoriosos, mas com a certeza de que não são eternos.
Escrito por Marcelo Biar às 17h43
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Os Sarneys nossos de cada dia
O senado presta um grande serviço à sociedade. É mais ou menos a mesma função dos bonecos de Judas. A cada escândalo a população, com toda a justiça, se indigna, protesta e mostra sua revolta com atos tão mesquinhos e desonestos. Mas o melhor de tudo isso é que o senado, seja pela distância física ou mesmo pela sua prática, é distante. É mesmo, ninguém vive o senado cotidianamente. Assim, entendemos o mal como algo concentrado em outra dimensão. Ah... e o Sarney... usando verba pública em seu favor, empregando parentes, usando funcionários públicos para serviços particulares... Mas francamente, o senado é tão longe mesmo de nós? Quantas pessoas conhecemos que não hesitam em se apropriar de coisas alheias para seu próprio gozo? Quantas em funções de chefia ou algo assim, favorecem a seus amigos independente da competência? Quantas norteiam suas consciências pelo lucro recebido? Quantas entregam seus amigos por trinta moedas? Francamente, se disserem que não conhecem muitas pessoas assim, vou lhes dizer que além de mentirosos, são mais felizes que eu. Ao meu redor estão muitos Sarneys. Poderia, realmente, existir o Sarney se não existissem os Sarneys?
Escrito por Marcelo Biar às 10h59
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