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Contramão (Marcelo Biar)


Nova casa

Olá. Tenho tido problemas com nosso provedor. Dificuldade de postar. Por isso, não estranhem nem desistam do nosso contramão. Estamos trabalhando firme e, como muitos já sabem, esse blog vai se transformar num site chamado JUNTOS NA CONTRAMÃO. Nele teremos mais colunas e não só minhas postagens. O site também criará eventos presenciais.

É isso aí. O Contramão vai sair do mundo virtul e da solidão de quem vos escreve.

Enquanto isso... " quem me vê sempre parado garante que eu não sei sambar. To me guardando pra quando o carnaval chegar..."



Escrito por Marcelo Biar às 08h24
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Clandestinidade

          Fim de ano... Fim de semana... Fim do mundo... Fim da picada! Acrescente a tudo isso alguns problemas técnicos e eis aí os motivos pelos quais o CONTRAMÃO ficou mais tempo que o normal sem postagem nova. Na verdade eu já estava até preparando o prêmio Contramão, dando tudo por encerrado. Nenhuma novidade parecia querer brotar. Final de campeonato... Meninos fuzilando colegas nos EUA... Tudo bem cotidiano. Foi quando fui ao cinema. INFÂNCIA CLANDESTINA. E mais uma vez los hermanos arrebentaram. Esse brilhante filme argentino mostra um casal militante que , durante a ditadura argentina, sai do país e retorna clandestinamente para continuar a resistência. Contudo, o casal tem um filho e esse também passa a ter uma vida candestina.

          Para além do bom argumento e direção impecável, o filme me fez pensar sobre a clandestinidade. Sim, em épocas de ditadura ela se torna óbvia. Mas e nas ditas democracias, como a que vivemos agora, o que as justifica? Não mudamos o nome, ou fazemos plástica para não sermos reconhecidos. Mas talvez passemos pela mais desagradavel experiência de clandestinidade. Aquela em que somos forçados e que não mira a transformação, mas sim a sobrevivência. Fazemos isso ao não falar no emprego o quanto tudo está errado, ao não romper uma relação afetiva que nos oprime, ao assistir em silêncio cínico a um telejornal, ao falar de globalização e empreendedorismo como se tudo fosse normal, ao aceitar as opções que nos são dadas pela democracia que não foi conquistada... Enfim, estamos clandestinos em nossos quereres ou será que já viramos uma geléia amorfa e inodora?

        Pois é, o mundo não acabou. Mas creiam, foi por maldade. Foi para nos deixar ver um pouco mais a nossa incapacidade de viver em sociedade. Mas, como a dialética serve para essas horas, que tal aproveitarmos para sairmos da clandestinidade?



Escrito por Marcelo Biar às 07h47
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Covardia, injustiça e outras coisas do outro mundo

          Nunca fui ligado a questões extraterrestres. Mas hoje acordei pensando em como seria se  E.T.s chegassem ao Rio de Janeiro no domingo, ontem, dia 25/11. Em seu primeiro passeio de reconhecimento pela cidade veriam cartazes enormes convocando o povo a se manifestar contra a injustiça e covardia que estão fazendo com esse estado. Hum... isso é bom, pensariam os pequenos visitantes. Ficariam mais empolgados se soubessem que quem mobiliza para o evento é o governador. Pesariam então... Eis aí um legítimo representante popular. Um líder. Eis aí uma democracia. O problema é que E.T.s, sei disso, tem uma capacidade grande de assimilação de informações e reflexão. Logo saberiam que a manifestação se dá por uma mudança na distribuição dos royalts do petróleo que, pela constituição brasileira, por se tratar de riqueza do subsolo, é da nação e não de estados. Descobririam que quem explora o petróleo é uma empresa federal, surgida na década de 1950, sob o slogan, O PETRÓLEO é nosso. Sim, NOSSO quer dizer dos brasileiros. Concluiriam que a riqueza federal deve ser usada para toda a federação e não para um estado.Para acabar com as diferenças e não concentrar riquezas e alimentar desigualdades. Buscando descansar, mudariam o foco de sua pesquisa.

          Uma leitura rápida em jornais passados (eles tem chips com todas as informações) mostraria que esse mesmo governador que convoca a manifestação tem se notabilizado por reprimir manifestações como a que foi feita recentemente em protesto a construção de um resort em área de preservação ambiental. Ele também mantém professores de sua rede de ensino com ganhos iniciais pouco maior que o salário mínimo, nesses seis anos de mandato em que tem recebido os royalts na íntegra. Veriam que o governador ameaça não realizar as obras para a Copa do Mundo e Olimpíadas e ficariam muito confusos pensando, afinal, porque ele fala isso se as verbas para tal são federais. Nada como se informar. Em seguida veriam que ele fará as obras da Copa sim, afinal, como ficariam seus amigos empreiteiros.

          Fico imaginando a revolta tomando os E.T.s.  Movidos por uma legítima revolta logo  pensariam em organizar uma verdadeira manifestação contra a verdadeira injustiça e covardia. Mas E.T.S sabem que cada povo deve resolver suas questões. Aí, creio, eles entrariam na sua nave e iriam embora. Acho que pelo tempo, partiriam já no dia 26/11. Sobrevoando o centro do Rio de Janeiro veriam os manifestantes cercados pela polícia e pelo governador. Lá de baixo os manifestantes achariam que estavam juntos contra a covardia. É, do alto se enxerga melhor. 



Escrito por Marcelo Biar às 10h39
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Legados e lesados

          Existem várias formas de verificar a verdade das pessoas. Talvez a menos eficiente seja através da resposta objetiva. Por exemplo. Alguém pergunta a um prefeito ou governador o que ele acha da educação, direitos humanos etc. Eles certamente dirão que é uma prioridade. Contudo, nem sempre suas ações confirmarão isso. Essa semana que passou foi pautada pela prefeitura acabando com uma escola municipal nas dependências do Maracanã, para avançar com suas obras, e com o governo do estado investindo no remoção dos índios que ocuparam o antigo museu do índio, no em torno do Maracanã, também para prosseguir com as obras que visam a Copa do Mundo de 2014.

          Preparar uma copa deve ser difícil. Construir um estádio também. Contudo, o mais revelador dessa história é a incapacidade dos parceiros Paes e Cabral, de pensar o todo, ou mesmo de priorizar o ser humano. O que é a construção de uma escola pequena, perto de construir um estádio de futebol? Se as obras já avançam por mais de um ano, por que não começaram providenciando a nova escola, com padrões de Copa do Mundo? E os índios. Mais sério do que remove-los ou não, é só discutir isso agora, quando por conta de 2014, se precisa do espaço. E as condições que viviam ali? Por que o governo nunca pensou em dignificar aquela ocupação? A sim, por uma questão de prioridade.

          Pois é, a distancia entre as teclas S e a G, no teclado do computador, é de duas teclas. Começo a achar que Pan, Copa e Olimpíadas não deixarão legados, mas apenas lesados.  



Escrito por Marcelo Biar às 14h00
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De óculos na sauna

          Você entra na sauna de óculos e pouco a pouco sua visão embaça. Na verdade não é sua visão ou sua capacidade de ver. É apenas o óculos. O mesmo se dá quando olhamos o Brasil/mundo por lentes comprometidas. Se, na preguiça do exercício saudável de entender o mundo e emprestar a ele nossa leitura, cedemos a olhares outros, podemos também ver um mundo embaçado. Vejam bem o que as lentes das organizações Globo nos oferecem:

 

          O Poder Judiciário está trazendo a justiça ao Brasil ao condenar os réu do “Caso Mensalão”.  

 

PASSANDO FLANELA NA LENTE:

_O Poder Judiciário é o único que atua sem que ninguém o fiscalize, contrariando o princípio democrático da divisão dos poderes.

_ O STF, promovido a herói (ou vingador da nação) colocou esse processo na frente de outros, inclusive de origem semelhante, mas com réus do PSDB e DEM, e em plena época eleitoral.

_ A imprensa noticia o caso se referindo aos réus como culpados, desde antes do início do processo e, os ministros do STF que questionam as decisões do Joaquim Barboza são vítimas de deboches da imprensa e do povo “esclarecido” nas redes sociais.

 

          O PT saiu derrotado das eleições!

 

PASSANDO A FLANELA NA LENTE:

 _ O PT ganhou um número grande de prefeituras, inclusive em São Paulo, núcleo conservador do Brasil, reduto do PSDB.

_ O crescimento do PSB e PCdoB, apontados como futuros adversários do PT, é o crescimento das bases aliadas do PT.

 

          Não existem mais partidos políticos no Brasil!

 

PASSANDO A FLANELA NA LENTE:

 _ Não há dúvida de que a política está se reconfigurando. Desde a década de 1990 os antigos e tradicionais quadros do cenário político brasileiro vem sendo substituídos por novos sujeitos. Lula e Collor fazendo o segundo turno em 1989 já demonstravam essa tendência. Assim, uma reestruturação no quadro ideológico/partidário também há que ser feita. A direita busca sua identidade e projeto (parte dela saiu do PMDB e lançou o PSDB, saiu do PDS, fez o PFL, que virou DEM e fragmentou para PSD). A esquerda por sua vez se redesenhou em um outro PT, que com os antigos criou o PSOL, e reconstrói o PCB... Enfim, um novo quadro se avizinha. Mas a máxima do fim dos partidos só interessa a quem não quer o debate ideológico.

 

          Joaquim Barboza, herói nacional!

 

PASSANDO A FLANELA NA LENTE

 _ Tem sido enaltecida a atuação do Ministro do STF Joaquim Barboza. Eufóricos e órfãos de pais, crêem e fazem coro com o Globo e a Veja, mostrando que tal ministro é a redenção brasileira. Vinda de baixo.. de um negro... Só para lembrar, sem me referir novamente, como acima, que esse caso do mensalão passou, casuisticamente, a frente de outros, o STF já existia antes. Tem sido ele quem julga todos os demais casos. Foi ele quem aprovou a Lei da Algema que proibia que a polícia algemasse preso que não oferecesse perigo, logo após a prisão de Daniel Dantas. A partir daí nenhum membro da elite foi algemado, enquanto pretos pobres continuaram a ser expostos para a mídia. Foi também o STF quem permitiu que a situação dos índios Guarani-Kaiowá chegasse a onde chegou. Pois é, verdugo nunca é da elite mesmo. 

          Saindo da sauna aviso, NÃO, eu não sou petista. Mas o Brasil não é para iniciantes, como diria Tom Jobim. Por que fazemos de cada momento o último? O último pênalti da disputa da final da copa. Calma gente, esse jogo ta sempre no meio. Vamos tirar os óculos para jogar o nosso jogo!

 



Escrito por Marcelo Biar às 10h47
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Salve Jorge (Salve?)

          E eu que pensei já ter visto tudo em termos de cinema/TV. Já cansei de ver filmes de roteiro linear (início, meio e fim), filmes que são contados de trás para frente. Outros indo e voltando. Mas dessa vez a GLOBO mostrou que sempre inova. No dia 28/11/2010 lançou um capítulo que só vai ter seqüência hoje (22/11/2012). Na primeira data, o capítulo especial, que durou um dia e repercutiu por semanas, mostrou a ocupação do Complexo do Alemão. Foi uma coisa meio Batalha de Argel. Uma ficção com ar de documentário. Parecia real. Um filme de cruzada onde os infiéis são derrotados e o bem vence o mal. Ou quem sabe o Rambo, libertando grupos inteiros oprimidos. Sim, foi um pouco clichê aquela cena em que os soldados vitoriosos fincaram a bandeira nacional no topo do território inimigo. Verdade, mas um clichê conveniente. Ficava afirmado, ali, que aquela prática até então vigente, nada tinha a ver com o Estado brasileiro/fluminense. Pelo contrário, eram eles os salvadores.

          Hoje, dois anos depois, começa a novela SALVE JORGE. O protagonista, um membro da cavalaria da PM, de nome Jorge e discípulo do “santo guerreiro”, depois de matar os dragões, responsável pela paz, se apaixona pela mocinha pobre e liberta. Ah... meu herói. Cinderela?

          E assim a Rede Globo vai escrevendo a História do Brasil. E nós, bestializados, seguimos assistindo. Seguimos? Talvez! Quanto investimento nessa política que só pode ser chamada de “de segurança” se resgatarmos o mito das classes perigosas. Quem está sendo protegido pela UPP? Grandes especuladores? Emissoras de TV que investem alto em eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas?

          Sinceramente, acho que essa sim, é a Avenida Brasil!

 

LADO B→ Hoje essa coluna resgata a ÓPERA DO MALANDRO, com a música O MALANDRO, de Chico Buarque. Um belo exemplo de inversão de culpabilidade!

http://www.youtube.com/watch?v=bbvEHpKWtjk



Escrito por Marcelo Biar às 10h23
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Dia 8 de outubro_ Em frente

          Enfim, o dia 8 de outubro de 2012. Parece que sou um dos poucos animados por esse dia ter chegado. Hoje é segunda feira. Dia de começar as coisas. E não é uma segunda feira comum. É segunda pós eleitoral. Ou seja, não é o fim é o início. Se alguém havia depositado suas esperanças num salvador da pátria e, com sua vitória, esperava voltar ao seu leito de coma cidadã, deixando-o com a tarefa de melhorar o mundo, desculpe informar, mas esse alguém já havia sido derrotado faz tempo.   

          Muito se falou nessa campanha que a militância voltou as ruas. Se voltou/voltamos, é que não estávamos lá. Isso tem um preço. Os nossos adversários não param de trabalhar. Não podemos parar também. A política é o resultado de nosso cotidiano. Ela é justa. Se nos omitirmos pagaremos caro. Para quem andou em coma cidadã, 28% ta excelente. É um ótimo começo, e não um fim.   

          Lá fora tem uma cidade sitiada. Boa parte de sua população é escoltada por forças policias e/ou milicianas, tendo seus direitos básicos seqüestrados. Uma cidade que, enquanto seus moradores historicamente excluídos são periferizados física e politicamente, uma elite ligada a especulação imobiliária prepara o loteamento municipal. Uma cidade onde morrer sem atendimento médico é normal. Onde o povo constrói espetáculos olímpicos dos quais jamais participará. E a grande questão é que essa cidade, hoje, dia 8 de outubro, seria a mesma se o Freixo tivesse sido eleito. Sim, creio em sua não conivência com tal quadro. Creio que se empenharia em mudar. Mas sem a participação de todos, no exercício humano, cotidiano e digno da política, essa mudança seria impossível. Assim sendo, nada mudou. Hoje, mais uma vez, é dia 8 de outubro. Dia de fazer política. O que estamos esperando para tomar o poder? Ou vocês crêem realmente, que o poder existe apenas nos governantes?

 



Escrito por Marcelo Biar às 10h25
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UM SÓ RIO?

          Só hoje percebi que SOMOS UM RIO, não é apenas uma frase de marketing eleitoral do candidato a reeleição, Eduardo Paes. Muito mais que isso, é uma idéia política que vem se reafirmando. Mas como poderia essa idéia se afirmar? Como, na “Cidade Partida”, segundo Zuenir Ventura, pode-se construir essa idéia de unidade?

          A unidade do Rio de Janeiro não está numa política para todos. Muito pelo contrário. Ta, essencialmente, na neutralização do debate. Na desistência daqueles que sempre lançaram suas vozes de antítese. Ta na naturalização da política perversa. Ta na adesão dos ex esquerda a esse modelo empresarial de gerir a cidade. Assim, desistidos de utopias, segue o Rio, de UM SÓ. E não Um Só Rio. Um Rio que não ouve e não fala com as camadas populares.

          Mas como isso se deu tão rápido? Não foi só a eficiência política desses algozes contemporâneos travestidos de empresários/gestores. Na verdade a hegemonia desses se deu facilmente pela incapacidade de ofertarmos uma política realmente diferente. Passamos décadas apenas sendo contrários a algumas práticas. No entanto, convenhamos, pouco se viu de política que partisse da camada popular. Que lhe ouvisse. O Rio não é um só. Nem no Leblon, nem na Lapa. Enquanto Liberais e Conservadores continuarem disputando quem tutela o povo que assiste bestializado, aos novos fatos, estaremos entregues a um Rio só. Um Rio não dialógico.  E o pior é que alguns acreditam estar vivendo um embate profundamente ideológico. A Lapa é pertinho do Leblon em prática. O Rio é plural. A unidade pelo silêncio do outro é nefasta!

          Cada vez mais gosto de Paulo Freire. O problema é que na Lapa também gostam dele. Mas não o praticam.

          Não por saudosismo, mas por exercício de análise político/histórica, temos que admitir. Na recente história da nossa república, só Brizola e Lula conseguiram se comunicar com o povo. Cada qual a seu estilo. Cada qual com seus defeitos e acertos. Mas só eles! E o que aconteceu? Foram chamados de populistas. Pela dita esquerda, pela Veja, pelo Globo, por todos os setores que odeiam o povo.

          Acabo de perceber. Como a dita esquerda se alia com os setores mais conservadores da mídia, vez ou outra. É, quantos comícios e postagens da esquerda moralista dão voz a Veja hoje em dia. Será que o século nos trouxe a *UDN sem macacão?...rs

          Francamente...

 

  • UDN de macacão era o apelido que Brizola colocou no PT.

 

LADO B→ Falando em Rio... ESTAÇÃO DERRADEIRA , Chico Buarque. Que tal?

http://letras.mus.br/chico-buarque/85964/



Escrito por Marcelo Biar às 13h41
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Gabriela e meus camaradas!

          Sempre que posso assisto a nova versão da novela Gabriela. Confesso que não gostei de vários aspectos. Mas sempre que posso, assisto. Fiquei pensando porque o fazia se não gostava. Talvez pela trilha que é maravilhosa. Sim, o Wilker está muito bem. O texto ta fraco mas não consegue derrubar o argumento que é irretocável. Talvez mesmo, nem seja nada tão ruim, mas é natural idealizar o passado e a primeira impressão e, portanto, dizer que gosta mais da outra gravação. Mas não é nada disso. É saudade dos machistas e coronéis do início do século XX. Como é inocente ver o Coronel Jesuíno matar a mulher e depois chorar. Sim, machista. Assassino. Ok, mas antes de mais nada uma vítima também de seu tempo. Ele só sabia amar assim. E o Coronel Raimundo? Manda em tudo como uma criança. Manda matar. Assassino, sim! Mas não entende relações mais complexas do que aquelas. Não há subjetividade para ele.

          Na verdade minha saudade não é de machistas nem coronéis. Ela é de um tempo onde as coisas eram mais diretas e assumidas. Duro é viver hoje, o tempo em que se critica o Coronel Jesuíno sem perceber que a cada 5 minutos uma mulher é agredida. Sem perceber de que forma, em pleno século XXI, elas ainda continuam subalternizadas em anúncios de cerveja, por exemplo. O Boa, venha que quero lhe usar!. Triste mesmo é ver os coronéis urbanos e pós modernos montarem suas perpetuações políticas através de regiões administrativas e subprefeituras que, apoiados na desarticulação política dos movimentos sociais, se transformaram em feudos  que atuam sobre as massas bestializadas. Isso sem falar no poder hereditário. Ou ninguém percebeu o número de candidatos filhos... de seus pais políticos. Pessoas que mal completaram sua maioridade e, ainda levados pelas mãos de seus pais, ocuparão cargos públicos (quase privados).

          Enquanto isso a dita esquerda se encanta com Mundinho Falcão que, longe de romper com isso, é a modernidade do mesmo.

          Que saudade de Gabriela. Mas que saudade também de meus camaradas!

 

LADO B→ Ta, não é muito original, mas é bom demais...rs TEMA PARA GABRIELA, de TOM JOBIM.  Completo!!!

http://www.youtube.com/watch?v=U_BCJY36ILg



Escrito por Marcelo Biar às 15h14
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Rio limpo com margem suja?

          Tenho saudades dos tempos em que ladrões roubavam para ter dinheiro.

          Um telejornal matinal fez uma reportagem sobre briga de torcidas. A polícia nesse fim de semana, fez várias prisões. As brigas marcadas pela internet, não são novidades e, vez ou outra, tem levado a morte. Em meio a esse turbilhão vi uma declaração de um entrevistado que afirmou que essas torcidas são facções criminosas. Ao fundo, a imagem mostrava vários torcedores entrando em um ônibus da polícia, em frente a uma delegacia, para serem transferidos para alguma unidade de detenção. Ao entrar no ônibus faziam sinais com as mãos. Sinais que os identificavam como grupo.

          O que leva torcedores a cometerem crimes que nada tem a ver com o futebol? E o orgulho desse pertencimento, exposto na TV, no momento de suas prisões, de onde vem? É exagero dizer que são criminosos? É exagero dizer que pertencem a facções criminosas? NÃO. Não é porque, além de tudo,  percebemos nas atitudes de alguns criminosos (traficantes etc) algo muito parecido. Muitas pessoas já se perguntaram: Por que eles não ganham um tanto de milhões e fogem? A resposta está em outro campo que não o financeiro. O dinheiro é desejado por eles, é claro, mas onde conseguiriam tanto prestígio, mulheres, fama etc? Pois é, então traficantes, torcedores e demais outsiders não estão buscando só dinheiro.

          Quando eu via uma pessoa roubando para comprar um tênis Nike, entendia o assaltante como um conservador do capitalismo. Aquele que transgredia para se inserir na lógica vigente. Isso continua. O problema agora é entender que lógica é essa. Que sociedade é essa que gera esse perfil de marginal. Ou será que alguém acredita que o tipo de crime nada tem a ver com a sociedade vigente. É, fala-se em marginalidade sem pensar no exato sentido da palavra. Sem perceber que marginal é quem está à margem e que, principalmente, a margem de um rio deposita os sedimentos de seu leito.

 LADO B→ Hoje, ilustrando o texto acima, apresentamos FORA DA ORDEM, de Caetano Veloso. Divirtam-se.

http://www.youtube.com/watch?v=HUb-z8C3CBs&feature=related



Escrito por Marcelo Biar às 11h01
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É ouro!!!

          Adoro as perguntas que ninguém faz. Afinal, ainda estamos na Guerra Fria? Por que é tão importante ganhar mais medalhas do que o outro país? E se a China tivesse acabado em primeiro lugar no quadro de medalhas, seria então uma potência emergente? E não é, tendo ficado em segundo lugar? E os EUA, ufa, na última hora acabou em primeiro, então não vive sua decadência? A Globo correu em Cuba para mostrar porque ela tem menos medalhas que antigamente. É, sem o dinheiro da URSS eles não conseguem medalhas, concluiu o repórter brilhante, sem pensar no pódio da olimpíada social onde a Ilha tem menor mortalidade infantil etc. E o Brasil.. Ah, o Brasil, todo mundo cobra medalhas. Francamente, o que significa ganhar uma medalha a mais ou a menos? E se tivéssemos tido ouro num daqueles esportes que nunca vimos e nem sabemos pronunciar o nome? Em que isso mudaria nossas vidas? E o vôlei masculino, medalha de prata. Medalhista 3 vezes seguida. Xi, mas perdeu “dando mole”. E se tivesse ganho como os Russos o fizeram. De virada. Seriam heróis? Então os Russos foram heróis! Mas, se demos moles, não houve heroísmo dos Russos!

          Começo a crer que o esporte não faz bem! O importante é o que mesmo?

          Mas, enfim, assistindo as olimpíadas me deparei com uma coisa. No país da terceira pior distribuição de renda do mundo (Brasil), a maioria absoluta dos atletas vieram das camadas populares. Os locutores Globais se emocionam e exaltam suas trajetórias de vida. Não tinham o que comer... Dormiam aos montes em casas de sapê... Treinavam descalços... E o engraçado que isso não constrange ninguém. Não falo de dar condições a prática do esporte. Falo da evidência da miséria. E é desses que cobramos medalhas. Sinceramente, não invistam nas olimpíadas. Não se preocupem com o quadro de medalhas. Mas, por favor, não naturalizem o fato de pessoas viverem na miséria!

 LADO B→ Essa semana mostramos a histórica gravação de Roda Viva, no 3º Festival de Musica Brasileira da TV RECORD 1967, de Chico Buarque,  com interpretação do próprio acompanhado do MPB4. Essa postagem é uma homenagem ao MAGRO. Membro desse importantíssimo grupo (MPB4), que ajudou a escrever a história da MPB e que nos deixou essa semana.

 http://www.youtube.com/watch?v=3ALZNNUQdYM



Escrito por Marcelo Biar às 10h06
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Ridículos Tiranos

          A maior crise política que vivemos é a da falta de política. Nos afastaram, gradativamente, do ofício humano da política. A ditadura tem seu mérito nisso, mas não é a única culpada. Conseguiram com isso construir uma população aprisionada em si mesmo. Esperneamos nas redes sociais como detentos do mundo virtual proibidos de sair ao mundo. Com isso o resultado não poderia ser outro. Falamos de política quando tem eleição. Aliás, esta virou um evento a ser assistido tal qual olimpíadas e copa do mundo. Sim, assistida apenas. Nossa vibração com ambas, externalizada em essência, em nada difere da que temos hoje com relação a política.

          O resultado disso é candidatos altamente despreparados que não seguem nem mesmo um marketing interessante. O jovem candidato tem plataformas para a juventude. O que hoje controla o orçamento presta contas como quem mostra um balancete em reuniões de condomínio. Um outro, bom moço, fala de planos com tanto fundamento quanto os projetos de foguete que eu fazia para ir a lua com meus amigos aos 8 anos. Sim, ainda tem a ecológica que, com boa formação, expõe seus planos como se o mundo, o homem, as relações sociais e o meio ambiente fossem coisas apartadas como um picles da horta. Por fim, tem um que fala com propriedade. Que tem idéias progressistas. Mas que não se difere dos demais no tocante ao fazer política. Não me refiro a questões éticas ou coisas do gênero. Mas a práxis. Enquanto todos os candidatos se posicionarem, tão somente, como aqueles que disputam de quatro em quatro anos, quem tem a melhor idéia para gerir a cidade, estaremos respaldando a nossa anulação cidadã. Cansei de política de carta de intenções. De política de empreendedores sociais. Quero saber, para além da reforma da fachada, como serão e por quem serão construídas os alicerces desse prédio. E quem o habitará.

          Já que todos são por uma educação de qualidade, saúde para todos etc, gostaria de saber como será construída a governabilidade e a relação com a sociedade. Mas por favor, não me respondam dizendo que irão ouvir o povo. Ouvir é ato distanciado. Não adianta falar em Paulo Freire e dizer que fará POR ou PARA. To  muito afim é do COM.

          Enquanto isso, como as olimpíadas estão aí e não anulo meu voto, fecho com o jovem progressista. É quem está mais perto de onde gostaria de chegar (ainda que faltem muitas estações).

LADO B→ Homenageando o aniversário de Caetano Veloso, postamos hoje seu necessário clássico PODRES PODERES. Bom voto!

http://letras.mus.br/caetano-veloso/44764/



Escrito por Marcelo Biar às 10h09
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Enquanto isso na sala de justiça...

          Nunca havia pensado nisso, mas quando inventamos uma mentira temos como objetivo que acreditem nela e, especificamente, no ponto em que desejamos. O problema é que, normalmente, ela é uma história minimamente complexa, onde outros personagens aparecem e, possivelmente, com histórias secundárias. Isso mesmo. Perdemos o controle sobre a verdade e no que as pessoas acreditam.

          A sociedade estadosunidense é um bom exemplo disso. Passou o século XX e esse arremedo de XXI tentando nos convencer que questões ideológicas não existem. Seus filmes, que não foram poucos, se ocupam de crimes e questões legais. Pouco se viu de questões existenciais, ideológicas, de classe etc. Não contentes, os malfeitores são sempre psicopatas. O sujeito que erra porque é mal. Aquele que realmente, não merece viver nessa sociedade tão boa. Dessa forma, passamos a ver o desviante como um traidor das normas da sociedade que, em sua essência, é boa. Essa mentira não vem sozinha. Tem como protagonista ELES, os super heróis. Sim, aqueles que combatem o mal. Esses, é claro, não são cidadãos normais. Tem super poderes etc. Assim, a vida... A sociedade... tem seu ritmo natural sem que sejamos capazes de interferir, nem modificar nada. Aquele que rompe com sua lógica é um psicopata maligno que só pode ser combatido pelo, supra humano, herói.  Não coincidentemente, esse super herói, embora surja numa realidade onde a vida humana não interessa, tem uma origem que se pretende valorizar. Ou seja, a existência do super herói reforça que nossa vida em sociedade é natural, logo não temos nada a fazer para modificá-la, cabendo isso aos supra humanos, e também glorifica a origem desses heróis, tornando-as superior. Ou seja, Batman e Homem de Ferro, milionários; Capitão América, oficial americano; Esses são aqueles que podem nos salvar.

          Estava tudo perfeito. Só que, para o quadro mentiroso ficar completo criaram o inimigo. O mal feitor. Sim, todo mundo brinca de Batman, de Homem de Ferro, de Capitão América, na infância. O que ninguém parou para pensar é que o pacote mentiroso é completo. Se você o compra, todas as fantasias são entregues.

          Essa semana, lamentavelmente, os EUA teve mais uma prova disso. Foi o dia do Coringa. E, como diria o narrador do Batman: Enquanto isso na sala de justiça... Ou seria na sala de cinema?

 LADO B→ Na trilha exata a coluna Lado B nos apresenta GOTHAM CITY, de Jards Macalé e Capinam, interpretado pelo Boca Livre. Cuidado!

 http://www.youtube.com/watch?v=5x0GB7TkVFs



Escrito por Marcelo Biar às 07h50
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Na moral

          Faz tempo que a Globo não consegue ser a grande formadora de opinião. O governo Lula a quebrou nesse sentido, pois, um “analfabeto” retirante conseguiu encher de orgulho a nação “analfabeta” que não mais se sentiu retirante em seu próprio território. Se você assistir a Globo News verá o desespero daqueles analistas que não analisam, nem são ouvidos. Esperneiam sobre uma crise (imagina se fossem dos EUA, Espanha, Grécia...), e transbordam de raiva quando o governo se manifesta contrário ao golpe do Paraguai. Uma grande pesquisadora da PUC se deu ao trabalho de pesquisar e verificou que no G1 não havia nenhuma referência a palavra GOLPE. Enfim, gritam aos quatro cantos, mas não encantam mais a ninguém.

          Eis que de repente, após algumas mordidas na bunda da Juliana Paes e uns peitinhos bataclaneses, surge NA MORAL. Um programa teoricamente de debate, girando em torno de temas polêmicos. Puxa, que bom! Assédio moral, preconceito racial, enfim! Mas, eis que surge esse programa como uma tentativa desesperada de formar opiniões. A fórmula é simples. Eles chamam dois filósofos, uma apresentadora de programa de humor, que é formada em psicologia e levantam a bola. Ninguém tem tempo maior que 30 segundos para falar. Todos são cortados pelo apresentador que, em tom professoral conclui tudo, cria conceitos e os propaga. Mas claro, o faz respaldado pela presença de dois filósofos e uma psicóloga. Logo dá a impressão de que aquelas conclusões resultam da discussão de uma banca qualificada.

          Ora seu Bial (Brother)... Deixe as pessoas falarem e concluírem livremente. Que tal um programa onde uma mesa qualificada debata profundamente e as conclusões sejam tiradas pelos telespectadores? Ah, para vocês assim não tem graça, né? Pois então continuem no seu esforço de formar consensos que eu juro que não atrapalho mais.

 LADO B→ Tavino Lima é pernambucano, do Rio de Janeiro, de Ilha Solteira (SP), do Brasil, do mundo e de tantos lugares que é capaz de buscar melodias e versos do canto de dentro de nós. Aqui, essa semana, conheçam MALFEITO. Parceria sua com Rita Altério, que foi tema da novela Carrossel.

http://www.youtube.com/watch?v=t5k5ikBHsG0&feature=share



Escrito por Marcelo Biar às 08h33
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A democracia falsificada

          Quando a legalidade se constrói a despeito da moralidade é a véspera da normatização de um mundo legalmente imoral. Foi assim no Paraguai e, se não nos mexermos, será assim na América toda.

          Então foi assim. Um conflito pela posse da terra ocorre e um grupo de opositores se articula denunciando e votando o impedimento de um presidente eleito pelo povo, em apenas duas horas. O argumento para tal rapidez é que deve-se surpreender a opinião pública para que não haja reação. Sim, a opinião pública que levou o presidente ao poder, não pode se manifestar. Em nome da democracia da legalidade inicia-se um movimento absolutamente adverso aos rumos latinos da última década. Movimento isolado? Casual? Nem pensar. Articulado como nos golpes da década de 1960 e 1970 pelas forças reacionárias do continente. Pensam que estou falando dos EUA? Sim, claro que estou. Nele e em seu presidente OBAMA que muitos ainda vêem como paladino da justiça social mundial. Um herói tentando mudar os EUA. Mas é verdade, nem só de EUA vivem os golpes. Como eles são passados e vistos pelo mundo?, A Rede Globo noticiou o golpe como um ato político e deu ênfase a normalidade conquistada pela sociedade em horas. Quase como uma reação aos protestos nas redes sociais, a emissora noticiou ao público que no Paraguai ninguém reclamava mais. Ou seja, não somos nós que vamos nos preocupar.

          Liguei a TV agora de manhã e vi uma importante reportagem sobre a volta das sacolas plásticas nos supermercados. Vamos salvar o planeta! Que sacola conveniente. Aumenta o lucro direto do capital e desvia a atenção de todos.

          Bem, se o golpe no Paraguai não foi casual, nem tão pouco obra meramente interna, a quem devemos vigiar? Os donos de supermercado, ou melhor, do capital, os noticiadores da ordem (Redes Globos)... Na política, aqueles que representam esses grupos, ou seja... Essa eu deixo para vocês completarem. Só dou uma dica, a Rede Globo eu já falei. Outra dica, não é o Maluf! 

 

LADO B→ Hoje daremos duas dicas. Uma, inovando nossa coluna, é de uma entrevista concedida pelo o chanceler argentino Hector Timerman à Carta Maior, sobre o Golpe paraguaio.

 http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20453 .

A segunda dica é musical, latina e latinoamericana no sentido de sua amplitude e unidade. É o grupo brasileiro HARMONITANGO, formado por José Staneck – harmônica, Ricardo Santoro – violoncelo e Sheila Zagury – piano, interpretando LIBERTANGO, de Astor Piazzolla.

http://www.youtube.com/watch?v=MJ3Jb8pziXg

 



Escrito por Marcelo Biar às 09h00
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