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Like a virgin (ou Os Trapalhões)
Em 1996 estive no interior do Piauí. Ao ingressar em um pequeno museu de uma minúscula cidade, e assinar o livro de freqüência me apresentando como carioca, reparei que a funcionária disfarçadamente passou a mão no telefone e, dois minutos depois, lá estava a primeira dama da cidade me recebendo. Muito simpática, mostrou todo o acervo do museu em dois minutos e passou a próxima hora indagando o que fazia eu naquele fim de mundo e como era o Rio. Me senti muito mal com aquilo. Será que a Madona também se sentiu mal? A corte feita pelo prefeito, governador e o homem mais rico do Brasil, beirou o ridículo. O que justifica isso? É a afirmação da nossa baixa estima e falta de conhecimento de nossos próprios valores. Aqui não vai nenhuma crítica à Madona. Ela fez a parte dela. Mas “nossos” governantes... Será que ofereceram um Note Book para ela? O pior é que ela ainda saiu daqui com 7 milhões para investir em um mirabolante projeto educacional que vai mudar o Brasil. Pois é, a Madona! Pelo menos aí eu vi coerência. Ao fazer isso o governador e seu aprendiz de feiticeiro afirmaram publicamente que não acreditam em seus professores e universidades. Talvez isso explique a forma como os trata e remunera. Nunca pensei que fosse falar isso, mas pelo menos na ditadura o Mec fez acordo com o USAID, uma espécie de escritório de consultoria, para que reformassem a nossa educação. CALMA gente, não gosto dessa idéia. Mas fazia parte de um projeto político profundo. Nefasto e de sérias conseqüências. Mas um projeto. Mas o que é isso agora? Madona? Ah não... (Podíamos chamar o Superman para cuidar da segurança)
Escrito por Marcelo Biar às 08h43
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O Parto do Amanhã
Estava dando aula noutro dia, e lembrei uma célebre frase de Marx. A NECESSIDADE É A PARTEIRA DA HISTÓRIA. Isto é, é ela quem move as sociedades pelas mudanças, descobertas etc. Essa frase é muito legal e faz lembrar da criatividade das camadas populares, as engenhocas dos presos (seus inventos feitos na cadeia) e até mesmo, do nível de tecnologia que o homem atingiu. É, vai-se a lua como se vai a esquina. Pois é, o problema é que isso nos remete a seguinte questão: Vai- se a lua, mas pessoas morrem de fome. Vai-se a lua e o meio ambiente está sendo violentado. Vai-se a lua e não se consegue dar conta do lixo produzido diariamente. Puxa, emtão o homem não é tão capaz assim de resolver suas necessidades? Não meus amigos, é sim! Apenas a solução desses problemas não se encaixa na lista das necessidades de nossa elite dominante. Pelo contrário, são o resultado de sua prática. MISÉRIA e PROBLEMA AMBIENTAL não estão na gaveta das preocupações de nossa elite, mas sim na prateleira lá de cima, da última estante, fechada ao acesso, onde guardam os resultados de suas ações. Mas esta reflexão, se desvenda o caráter (ou falta de) do capital, também nos impõe um desafio. NÃO SOMOS DA ELITE. Até quando vamos esperar que ela resolva nossos problemas? Quando vamos mostrar que a necessidade de uma sociedade mais justa irá nos parir enquanto sujeitos transformadores da sociedade? (ou será que isso não está na moda mais?)
Escrito por Marcelo Biar às 19h09
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A Culpa é do Macaco?
Vamos repensar um pouco essa questão da violência no Morro dos Macacos. Onde está o verdadeiro problema? A polícia foi ao morro porque estava havendo uma tentativa de invasão. Isto é, uma facção, sediada em um morro ao lado tentava tomar aquele morro para se beneficiar dos lucros do tráfico instalado ali. Ora, mas qual o problema? Se as autoridades sabiam que havia tráfico ali, de que importa ao Estado, quem o explora? A sim... o problema não é o tráfico, mas sim a guerra para a tomada do ponto. Sei, as armas estão muito pesadas e acabam sobrando balas para o asfalto. Que tal atiradeira (seta, estilhingue...)? Isso! Se as facções passarem a usar armas silenciosas e que não perturbam a ordem branca, a polícia não sobe. Ué, quer dizer então que a existência do tráfico em si pode?! Até mesmo a mudança de grupo que o explora. O problema é não sobrar nada para o asfalto. Deve ser por isso que em qualquer ação policial nos morros cariocas vemos sempre a imagem do policial apontando a arma para cima. Para o morro. Deve ser para ir afastando o perigo da comunidade do asfalto. Como aquelas pessoas que varrem calçada com mangueira d’água... empurrando o lixo. Ora, se querem tirar o problema do morro, por que não fazem a operação de cima para baixo? Assim, ao terminar a operação, o morro estará livre dos mal feitores. O problema maior disso tudo é que a imagem do policial apontando a arma para o morro reforça no imaginário coletivo o caráter apartado de nossa sociedade. Sem maior reflexão, o mundo branco do asfalto aponta suas armas para a comunidade. Naquele momento, aqueles que moram ali, fruto de uma complexa rede de exclusão e exploração, são mais uma vez atacados pelo preconceito que os marca como perigosos sem distinguir quem é quem. E assim, parece que todo o processo histórico que os levou àquela situação é absolvido e justificado. A exploração é esquecida, e o explorado culpado.
Escrito por Marcelo Biar às 06h53
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Dia dos professores!
Feliz dia dos professores. Dia 15 foi assim. Recebi várias mensagens me parabenizando. Algumas delas, confesso, até me comoveram. Gosto de carinho, sou normal. Mas francamente, você preenche uma ficha numa loja, ou algo assim, e o balconista te dá os parabéns... O visinho que nunca falou contigo, com um sorriso cínico, também te felicita... Eu não vi, é claro!, mas garanto que a Ana Maria Braga leu algum texto em homenagem aos professores. Deve ter encerrado dizendo que sem os professores ninguém vai a lugar nenhum. É isso que me incomoda! Se dentre quem estuda o assunto é consenso que a educação escolar foi criada para construir hegemonia, criar valores que favoreçam a dominação, por que insistem em dizer que é preciso mais educação? E essa frase que não chegaríamos onde estamos sem o professor, será que não ocorre a ninguém que onde chegamos (o mundo) não é um lugar muito interessante? Mas aí um médico bem sucedido que cobra R$300,00 por consulta afirma sua gratidão a sua primeira professora que nem pode se aposentar, nem ir a um médico. A educação constrói o mundo mesmo? Então a culpa é dos professores também! Não estou escrevendo isso para brigar com a categoria, mas para deixar claro que também entre os professores existem posições e práticas ideológicas diferentes. Que tal pararmos de pedir mais educação e discutirmos que educação queremos? Viva minha amiga e ex professora que em sua mensagem parabenizou aqueles que fazem do seu ofício um exercício de transformação. Só aqueles. Isso mesmo. Os outros não se sentam na mesma mesa que nós. Não dividimos nossa comida com quem não sabe dividir!
Escrito por Marcelo Biar às 14h29
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Não ouço mais Mercedes...
Em 2000 eu estava jantando com uns amigos em São Paulo quando um deles falou: Puxa, Mercedes Sosa morreu e nem uma nota no jornal. Passado nosso espanto com sua morte, veio a indignação pelo silêncio. Por sorte era um grande rebate falso. La Negra, A Voz da América, A Voz do Terceiro Mundo, eram alguns de seus apelidos. Sua voz, farta como seu corpo, parecia carregar tantas vozes... tantos dos nossos sonhos de uma outra América. Cantou Chico, Milton, Violeta Parra, Vitor Rara, Pablo Milanês, Silvio Rodrigues... todos, perto dela, meninos a quem acolhia no colo. Hoje, 4/10/2009, ela realmente morreu. 74 anos volvendo a los 17. Amando como na primeira vez... com o brilho do sol que nasce de novo e tão novo. Fico triste, mas ela tem esse direito. Hoje o rebate não é falso. Mas a tristeza que me acomete de forma implacável vem por perceber que algo já havia morrido em 2000, ou bem antes. Mercedes já não era tão ouvida porque nossos sonhos também não se faziam ouvir. Por muito tempo achamos que ela era o tambor que fazia marchar nossos sonhos. Hoje acho que era ela o eco de nossos sonhos. Nossos peitos batiam o ritmo da marcha e ela fazia ecoar. Mas nossos tambores foram soando cada vez mais fraco... até parar. Por isso não se ouvia mais a voz da América... por isso, talvez , ela se foi. O século XX, breve, aos poucos vai terminando. Resta-nos a difícil tarefa de mergulharmos em nossas entranhas e procurar, ainda que pela última vez, nossas utopias... nossos sonhos. Talvez ouvindo, ao longe, a voz daquele Milton sussurrando baixinho “o que foi feito amigo de tudo que a gente sonhou...".
Escrito por Marcelo Biar às 22h11
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Não há crime sem vítima ou Perdeu mané!
E o Sarney? Ué, ninguém mais fala nele? Já passou? Voltamos à normalidade? Tudo está como era antes, ou será que nada mudou mesmo? No período em que se falou do Sarney enquanto um corrupto, eu vi algumas pessoas com discurso crítico, mas indignação mesmo, eu não vi. Não igual a quando uma pessoa é roubada na rua. Quando levam sua carteira ou seu relógio. Nesses casos, é comum ouvirmos que o ladrão tem mais é que morrer. Mas o Sarney não. Por que será? Na verdade, o relógio, para o cidadão, é seu bem. Ele sabe que é seu! A coisa pública não! A população já teve roubada, faz tempo, sua condição cidadã. Já lhe tiraram o sentimento de que o que é público é seu. Perdeu mané! O povo não se sente diretamente roubado, quando alguma pessoa pública desvia verba da saúde, por exemplo. Esse roubo, certamente, foi o maior roubo da história. Roubaram nosso sentimento de pertencimento da sociedade. Morte ao Rei! Será que teremos que fazer uma nova Revolução Francesa (ah não!) para nos sentirmos cidadãos de novo? Fiquem tranqüilos. Em breve, a lembrança do relógio também será tão remota que não nos indignaremos ao perdê-lo. Aí sim, viver vai ser uma maravilha.
Escrito por Marcelo Biar às 06h52
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Vou virar liberal...rs
“Esse mundo tá todo mudado”. Vira e mexe ouvimos uma frase como essa. Começo a acreditar. Sempre defendi a intervenção do Estado para dirigir a economia e garantir, para a população, aquilo que lhe é básico. (Como sou antigo, né?) Já os liberais, há mais de 200 anos defendem a não intervenção do Estado. (moderníssimos) Pois eu acho que está tudo se invertendo. Fui comprar meu remédio para pressão e por ter receita ganhei um enorme desconto. De R$25,00 paguei apenas R$ 1,82. O rapaz do caixa explicou que o governo federal tem uma lista de remédios que julga essenciais e os subsidia. Ou seja, já que a população não tem renda mínima o governo garante a ela o remédio. Sem entrar no mérito da renda mínima, não seria mais pertinente o governo fabricar o remédio e vender a preço quase de custo? Puxa, mas aí ele estaria intervindo... atrapalhando a iniciativa privada. Ah, entendi. Ele não promove a renda mínima, garante o acesso ao remédio a população e o lucro da indústria farmacêutica. Essa coitada, exposta a um mercado tão frágil já que tem uma população de baixa renda. Então o Estado não produz o remédio para não intervir na iniciativa privada, mas subsidia seu consumo para garantir a venda e o lucro da mesma? Mas isso também não é intervenção? Já que não conseguimos um Estado que garanta os bens básicos a população, vou virar liberal e defender que o Estado pare de intervir. Pare de subsidiar a iniciativa privada. Só para contrariar...rs
Escrito por Marcelo Biar às 10h29
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Pelo Menos
Criamos a cultura do PELO MENOS. Sabemos que a educação está caótica em seus prédios, material e proposta pedagógica. Mas assistimos ao governo do Estado distribuir note books para os professores. Sabemos que é um gasto que desrespeita prioridades, mas dizemos: PELO MENOS isso foi feito. Vemos as ONGs se proliferarem recebendo verba pública para confirmar a incapacidade do Estado e levar coisas como balet clássico para o topo do morro. Sabemos que com isso estão enriquecendo para manter o pobre distante do asfalto e que essa prática em nada muda a realidade. Mas, mais uma vez dizemos: PELO MENOS isso já é alguma coisa. Quando será que teremos coragem de falar sobre aquilo que realmente está acontecendo? Quando assumiremos a postura de apontar os erros e buscar as transformações? Anseio pelo dia em que PELO MENOS vai ser, no máximo, nome de clínica de depilação e não entorpecente de cidadania!
Escrito por Marcelo Biar às 11h44
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O Grito do Currado
Depois da ditadura, quando houve forte censura, as pessoas passaram a associar liberdade de expressão à democracia. É tão maravilhoso quanto perverso poder se expressar livremente se não temos mecanismos contundentes de participação sobre nosso destino. Achar que vivemos num Estado democrático apenas porque votamos de 4 em 4 anos e fazemos críticas clichês aos políticos, em nossas rodas de botequim, é de uma inocência tão grande quanto a inutilidade dessa prática. Nosso Estado não é democrático porque é alicerçado em uma lógica que mantém o cidadão distante de suas decisões. Receberemos uma fortuna pelo pré sal, mas o que será feito dela, caberá aos políticos decidirem. O quanto e em que investir na saúde e educação, também só cabe aos que freqüentam o Olimpo. A democracia se dá quando nos constituímos efetivos sujeitos da história. A liberdade de expressão é um instrumento para tal. Contudo, essa liberdade sem nossa ação se resume ao direito do currado gritar após sua curra!
Escrito por Marcelo Biar às 08h23
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A Dança dos Atrevidos
Ontem, 30 de agosto, lancei meu livro ANTÔNIO CONSELHEIRO_ NEM SANTO, NEM PECADOR, pela Editora Rocco, na varanda da livraria do Museu da República. Ao lado avistava uma sala de reuniões de Getúlio. A tarde estava linda, com um sol daqueles que aquece sem queimar. Lá estávamos nós: Antônio Conselheiro, Eu, Getúlio, a república em si, crianças correndo sem saber pra onde... De repente vi o quanto a história é interessante e nos oferece várias faces. Quantas contradições cabem em um mesmo ato? O que nos impede de explorar essas contradições? Quando a editora me pediu para escolher um local para o lançamento do livro, escolhi essa livraria por não ser um claustrofóbico shoping. Aí brincaram comigo: puxa, mas foi a república que matou Antônio Conselheiro. É verdade, pensei eu, mas e os shopings, representam quem? Eles também venceram Antônio Conselheiro!...rs Na verdade, os espaços estão sempre repletos de marcas dos vitoriosos, mas cabe a nós fazermos nossa festa a despeito deles. Enquanto pudermos cantar quando nos mandam calar, estaremos vivos! Já eles, vitoriosos, mas com a certeza de que não são eternos.
Escrito por Marcelo Biar às 17h43
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Os Sarneys nossos de cada dia
O senado presta um grande serviço à sociedade. É mais ou menos a mesma função dos bonecos de Judas. A cada escândalo a população, com toda a justiça, se indigna, protesta e mostra sua revolta com atos tão mesquinhos e desonestos. Mas o melhor de tudo isso é que o senado, seja pela distância física ou mesmo pela sua prática, é distante. É mesmo, ninguém vive o senado cotidianamente. Assim, entendemos o mal como algo concentrado em outra dimensão. Ah... e o Sarney... usando verba pública em seu favor, empregando parentes, usando funcionários públicos para serviços particulares... Mas francamente, o senado é tão longe mesmo de nós? Quantas pessoas conhecemos que não hesitam em se apropriar de coisas alheias para seu próprio gozo? Quantas em funções de chefia ou algo assim, favorecem a seus amigos independente da competência? Quantas norteiam suas consciências pelo lucro recebido? Quantas entregam seus amigos por trinta moedas? Francamente, se disserem que não conhecem muitas pessoas assim, vou lhes dizer que além de mentirosos, são mais felizes que eu. Ao meu redor estão muitos Sarneys. Poderia, realmente, existir o Sarney se não existissem os Sarneys?
Escrito por Marcelo Biar às 10h59
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Gripe Suína e a epidemia do vazio
Pois é, depois de longo inverno volto a escrever no CONTRAMÃO. Quando todos começam a se esconder, voltamos a nos encontrar por aqui. Sem subestimar a gripe, nem desconsiderar suas vítimas, andei pensando na mortalidade infantil, doenças por falta de saneamento, etc. Essas sim, são epidemias sociais constantes. Mas não atingem a todos. Já a Gripe Suína... o melhor dela é que desconsidera a questão de classe. Ou seja, não há como barrar, a transmissão é pelo ar. (Adoro quando a natureza desbanca a elite que se arvora em naturalizar as diferenças) Mas o que me chamou a atenção mesmo nesse processo foi a mobilização das pessoas. Uns usam máscaras, outros fazem discurso para qualquer grupo de três pessoas em fila de supermercado, tem aqueles que não dormem preocupados com a saúde e, por fim, os que, cientes e conscientes, dispersam de onde estiverem ao primeiro espirro alheio. É, vivemos a EPIDEMIA DAS VIDAS VAZIAS. Impressionante como as pessoas continuam com a humana vocação da mobilização, mas desumanizados na capacidade crítica de detectar motivos. Naturalizaram tanto as mazelas de nossa sociedade que conseguem conviver perfeitamente com o caos social do qual são vítimas e no primeiro espirro descobrem, enfim, suas cidadanias, como se no meio do lixo descobrissem um guardanapo no chão e fizessem dele a causa maior.
Escrito por Marcelo Biar às 15h13
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UTOPIA SIM
Como resposta a minha primeira mensagem deste ano, Felipe Radicetti, parceiro e amigo, lançou a proposta de discutirmos aqui se o mundo de hoje é careta. O título de sua mensagem era “Sem utopia não há revolução”. Pois bem, está lançada a idéia. Eu começo concordando. De todas as pobrezas que o neoliberalismo, sobremesa amarga da ditadura militar, tenta nos impor, a de utopias é a pior. Não há violência maior do que impor ao homem a idéia de sua nulidade enquanto sujeito histórico. Quando paramos de desejar mudar o mundo, de ter a transformação como motor de nosso despertar matinal, entramos em um coma cidadão que só interessa àqueles que engordam com a nossa passividade. Falar da usurpação da produção do trabalhador por parte do capitalismo já pode ser óbvio. Mas precisamos perceber que hoje todo o nosso dia é apropriado por eles. Não se limitam mais às horas que nos pagam (mal). Querem acabar também com nosso tempo livre nos colocando nos cursos de qualidade total (para produzir mais para eles) ou para pensar em comprar um carro novo (produzido por eles). Tentam fazer com que acreditemos que viver é ganhar um Big Brother, ou vencer um desafio do Luciano Hulk. Pois eu grito que não. A contramão, algo muito maior do que este blog, é necessária como atestado de que estamos vivos. É com pequenos atos como se indignar, e sonhar, que iniciamos os grandes processos de transformação. Ontem, 26/01/09, assisti ao projeto MARIANA LEPORACE CONVIDA, na Artelúrica, em Ipanema. O convidado era o próprio Felipe Radicetti que estava pré-lançando seu terceiro CD SAGRADO PROFANO. Um projeto e CD que em nada corroboram com a massificação da cultura. Um espaço onde se conversa e ouve música de qualidade e essência brasileira em identidade e existência. Isso é contramão! Isso é revolução. Afinal, ela se dá todo dia, mesmo quando sussurramos NÃO àqueles que nos querem calados.
Escrito por Marcelo Biar às 08h56
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Qual é o pente que te penteia?
Acabo de assistir a um pequeno trecho da posse do novo presidente dos EUA. O primeiro presidente negro da história desse país, segundo os comentaristas. Em seu discurso o novo líder dos EUA afirmou que vencerão a crise econômica, o terrorismo mundial e que a liberdade triunfará. Novo presidente... de pele mais escura que os demais... mas de idéias claramente iguais.
Onde alguém se demarca de um grupo ou outro? Esse novo presidente terá que se mostrar negro na prática. Até agora seu discurso foi branco! (W.A.S.P.)
E para aqueles que acham que já é um avanço elegerem uma pessoa de pele negra, alerto que é assustador perceber que o povo americano superou a questão racial infantil em nome da unificação pelo destino manifesto.
De qualquer forma, boa sorte. (vamos precisar)
Escrito por Marcelo Biar às 21h32
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Feliz 2009 com música na CONTRAMÃO
Feliz 2009 para todos. Sem recriminar ninguém quero deixar claro que não comi uva nem lentilha. Não passei a virada do ano com uma moeda na mão. Não pulei no pé direito. Enfim, não cumpri ritual nenhum. Mas, é claro, desejei e desejo um grande 2009, para mim e para todos. Contudo, eu desejo tanto isso que farei com que isso aconteça sem depositar a responsabilidade em nenhuma simpatia.
Como na primeira mensagem desse blog eu disse que falaríamos de coisas boas também, e acabei me ocupando de muita crítica, quero começar o ano citando excelentes compositores que estão por aí, nesse Brasil que não aparece no Faustão. A maioria deles tem site ou podem ser achados no My Space e Youtube. Todos têm CD. Todos são bons. E, nenhum deles está na mídia. Pois é, em vez de discutir o óbvio, que é o porque deles não estarem na mídia, apenas ofereço a todos, seus nomes. Não tem forma melhor de desejar um feliz ano novo. Vamos nessa em 2009, continuando na CONTRAMÃO com:
Felipe Radicetti, João Cantiber, Beto Gaspari, Mariana Leoporace, Camará Trio, Marcelo China (Grupo Toque de Arte), Camila Costa, Paulinho Campos, Bilora, Zebeto Correa, Tavinho Lima, Zé Alexandre, Alex Maia e Carol Andrade, Adolar Marin, Ruth Glória, Ivânia Catarina e Carlos Gomes, Eudes Fraga, Elton Ribeiro, Marinho Sã, Paulo Muniz, Helington Lopes, Marcos Vinicius Vieira, Ronald Saar, Roberto Azis, Claudia Romano, Claudio Chaves e outros tantos.
Escrito por Marcelo Biar às 08h59
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