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Contramão (Marcelo Biar)


Enquanto isso na sala de justiça...

          Nunca havia pensado nisso, mas quando inventamos uma mentira temos como objetivo que acreditem nela e, especificamente, no ponto em que desejamos. O problema é que, normalmente, ela é uma história minimamente complexa, onde outros personagens aparecem e, possivelmente, com histórias secundárias. Isso mesmo. Perdemos o controle sobre a verdade e no que as pessoas acreditam.

          A sociedade estadosunidense é um bom exemplo disso. Passou o século XX e esse arremedo de XXI tentando nos convencer que questões ideológicas não existem. Seus filmes, que não foram poucos, se ocupam de crimes e questões legais. Pouco se viu de questões existenciais, ideológicas, de classe etc. Não contentes, os malfeitores são sempre psicopatas. O sujeito que erra porque é mal. Aquele que realmente, não merece viver nessa sociedade tão boa. Dessa forma, passamos a ver o desviante como um traidor das normas da sociedade que, em sua essência, é boa. Essa mentira não vem sozinha. Tem como protagonista ELES, os super heróis. Sim, aqueles que combatem o mal. Esses, é claro, não são cidadãos normais. Tem super poderes etc. Assim, a vida... A sociedade... tem seu ritmo natural sem que sejamos capazes de interferir, nem modificar nada. Aquele que rompe com sua lógica é um psicopata maligno que só pode ser combatido pelo, supra humano, herói.  Não coincidentemente, esse super herói, embora surja numa realidade onde a vida humana não interessa, tem uma origem que se pretende valorizar. Ou seja, a existência do super herói reforça que nossa vida em sociedade é natural, logo não temos nada a fazer para modificá-la, cabendo isso aos supra humanos, e também glorifica a origem desses heróis, tornando-as superior. Ou seja, Batman e Homem de Ferro, milionários; Capitão América, oficial americano; Esses são aqueles que podem nos salvar.

          Estava tudo perfeito. Só que, para o quadro mentiroso ficar completo criaram o inimigo. O mal feitor. Sim, todo mundo brinca de Batman, de Homem de Ferro, de Capitão América, na infância. O que ninguém parou para pensar é que o pacote mentiroso é completo. Se você o compra, todas as fantasias são entregues.

          Essa semana, lamentavelmente, os EUA teve mais uma prova disso. Foi o dia do Coringa. E, como diria o narrador do Batman: Enquanto isso na sala de justiça... Ou seria na sala de cinema?

 LADO B→ Na trilha exata a coluna Lado B nos apresenta GOTHAM CITY, de Jards Macalé e Capinam, interpretado pelo Boca Livre. Cuidado!

 http://www.youtube.com/watch?v=5x0GB7TkVFs



Escrito por Marcelo Biar às 07h50
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