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Contramão (Marcelo Biar)


Clandestinidade

          Fim de ano... Fim de semana... Fim do mundo... Fim da picada! Acrescente a tudo isso alguns problemas técnicos e eis aí os motivos pelos quais o CONTRAMÃO ficou mais tempo que o normal sem postagem nova. Na verdade eu já estava até preparando o prêmio Contramão, dando tudo por encerrado. Nenhuma novidade parecia querer brotar. Final de campeonato... Meninos fuzilando colegas nos EUA... Tudo bem cotidiano. Foi quando fui ao cinema. INFÂNCIA CLANDESTINA. E mais uma vez los hermanos arrebentaram. Esse brilhante filme argentino mostra um casal militante que , durante a ditadura argentina, sai do país e retorna clandestinamente para continuar a resistência. Contudo, o casal tem um filho e esse também passa a ter uma vida candestina.

          Para além do bom argumento e direção impecável, o filme me fez pensar sobre a clandestinidade. Sim, em épocas de ditadura ela se torna óbvia. Mas e nas ditas democracias, como a que vivemos agora, o que as justifica? Não mudamos o nome, ou fazemos plástica para não sermos reconhecidos. Mas talvez passemos pela mais desagradavel experiência de clandestinidade. Aquela em que somos forçados e que não mira a transformação, mas sim a sobrevivência. Fazemos isso ao não falar no emprego o quanto tudo está errado, ao não romper uma relação afetiva que nos oprime, ao assistir em silêncio cínico a um telejornal, ao falar de globalização e empreendedorismo como se tudo fosse normal, ao aceitar as opções que nos são dadas pela democracia que não foi conquistada... Enfim, estamos clandestinos em nossos quereres ou será que já viramos uma geléia amorfa e inodora?

        Pois é, o mundo não acabou. Mas creiam, foi por maldade. Foi para nos deixar ver um pouco mais a nossa incapacidade de viver em sociedade. Mas, como a dialética serve para essas horas, que tal aproveitarmos para sairmos da clandestinidade?



Escrito por Marcelo Biar às 07h47
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